Gestão de riscos – Aprenda a lidar com as incertezas do mercado contábil em 4 passos!

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Gerenciar riscos é algo que todos nós fazemos diariamente. Se o tempo está ruim, levamos um guarda-chuvas. Quando entramos no carro, colocamos o cinto de segurança. Antes de viajar, checamos se as vacinas estão em dia. Neste contexto, gestão de riscos nos negócios é algo bem parecido, mas claro, aplicada ao contexto de uma empresa.

Esse conceito se refere ao processo de identificar, analisar e fiscalizar os riscos existentes em um negócio, diminuindo as ameaças e tornando a empresa mais forte e estável. No entanto, assim como um risco pode trazer resultados negativos para a empresa, arriscar-se também pode gerar boas oportunidades. Por isso, fazer a gestão deles é o grande diferencial. Ou seja, quando a gestão de riscos é eficiente, as empresas sabem exatamente o que fazer diante de potenciais ameaças, traçando rotas mais seguras para atingir seus objetivos.

Assim, para decidir a melhor forma de lidar com as probabilidades do futuro, você precisa de uma gestão de riscos assertiva, inteligente e integrada. E é isso que iremos aprender neste conteúdo. Então, se você quer adequar sua gestão para evitar problemas, continue comigo!

O que é gestão de riscos? 

A gestão de riscos, ou risk management, é um conjunto de práticas e diretrizes que visam identificar incertezas e antecipar desafios dentro de uma organização.

Essas práticas e atividades incluem a identificação, análise, priorização e monitoramento de eventos que podem ter efeitos positivos ou negativos sobre a empresa, tanto no nível estratégico, quanto no tático e operacional.

Os riscos a serem controlados podem ser de diferentes tipos, como:

  • Estratégico: quando, por exemplo, um novo concorrente entra no mercado;
  • Conformidade ou compliance: como a introdução de novas regras, legislação, perda de documentação, etc; 
  • Financeiro: aumento da taxa de juros, endividamento ou cliente inadimplente;
  • Operacional: quebra ou roubo de equipamentos importantes, processos burocráticos e toda ação que possa gerar retrabalho para sua equipe;
  • Ambientais: vinculados a desastres naturais;
  • Cibernéticos: como ciber ataques e fraudes virtuais
  • Ambiente de trabalho: como ruídos, temperaturas extremas, substâncias tóxicas, entre outros;
  • Ordem política: ligadas também a novas legislações, sanções ou planos de governo;
  • Econômica: ligadas a mudanças drásticas na econômica, como as causadas pela COVID-19;
  • De imagem: como denúncias, processos, depoimentos, entre outras ações que possam afetar a imagem da empresa.
Assim, a gestão de riscos existe para avaliar e entender cada um desses eventos e identificar quais podem conter elementos negativos ou positivos, criando estratégias para evitar consequências negativas.

No entanto, é importante saber que, quando você identifica um problema ou oportunidade significa que ele deixou de ser um risco, pois já se concretizou. E isso não é gestão de riscos. Afinal, ela ocorre quando a organização consegue ter uma visão do futuro a curto, médio e longo prazo, reconhecendo as incertezas à frente antes que elas possam  afetar seus objetivos.

Mesmo sendo uma estratégia fundamental e necessária, segundo a pesquisa Reimagine Risk, realizada pela Marsh Risk Consulting, apenas 30,6% das empresas brasileiras formalizaram sua política de gestão de riscos, embora não consigam aplicá-la de maneira consistente e 5,6% delas não apresentam nenhuma atividade na área. E o grande problema que essas empresas têm em comum são: a falta de informação sobre o tema e a visão das políticas de risco como algo obrigatório e não estratégico.  

Ou seja, a falta de conhecimento acaba colocando essas empresas em situações de perigo, que não são mensuradas e nem avaliadas. Por isso, compreender a gestão de riscos e suas vantagens é essencial para colocá-la em prática. 

Quais as vantagens da gestão de riscos

À essa altura você já deve ter identificado quais as vantagens de uma eficiente gestão de riscos no seu negócio, porém, neste tópico, vamos aprofundar ainda mais esses benefícios. 

Abaixo eu elenquei alguns deles:

Facilita a identificação de problemas

As práticas da gestão de riscos, permitem que você enxergue onde e quais aspectos do seu negócio precisam de atenção, fornecendo contextos para compreender o desempenho e performance do escritório, contribuindo para quaisquer verificações de integridade ou auditorias.

Reduz os custos

Ações preventivas são menos custosas que ações corretivas, não é mesmo? Além disso, quanto mais clareza das ameaças que precisam ser eliminadas ou prevenidas você tiver, menores são as chances disso impactar no bolso do seu escritório. Portanto, se você quer reduzir seus custos operacionais, seja com multas, fraudes ou outros, fazer a gestão desses riscos permite o mapeamento de tudo que pode atrapalhar o crescimento do seu negócio. 

Fideliza clientes

Um negócio que cresce de forma sustentável mantém seus clientes fidelizados e satisfeitos, já que melhora a segurança, a eficiência e a performance operacional. Além disso, empresas com uma gestão de riscos sólida, possuem equipes mais engajadas, que investem em melhores entregas para o cliente, o que também contribui com os resultados positivos do seu negócio.

Impacta a lucratividade

A gestão de riscos nas empresas auxilia na otimização do capital, diminuindo os riscos de prejuízo operacional e evitando a perda de recursos. 

Isso significa que, no final, a lucratividade sempre será positivamente impactada. 

Veja como aplicar a gestão de riscos no escritório contábil em 4 passos

Agora que você já entende o que é a gestão de riscos e quais vantagens ela pode trazer para o seu escritório, que tal aprender a colocá-la em prática? Para fazer isso de forma eficiente, é fundamental seguir os 4 passos a seguir.

Vamos lá?

1 – Identifique os riscos

O primeiro passo é entender que os riscos podem variar de empresa para empresa, mesmo que elas façam parte do mesmo segmento. Portanto, é essencial que você conheça a fundo a sua, antes de traçar seu plano de gestão de riscos.

Para isso, é importante que os colaboradores e gestores se reúnam com você para identificar os riscos eminentes do seu negócio. E, para tornar esse processo mais fácil, divida os riscos entre internos (quadro de colaboradores, processos falhos, tecnologia obsoleta, falta de conformidade, etc) e externos (ações da concorrência, desastres ambientais, grau de liquidez no mercado, taxas de juros, conflitos sociais, situação política, etc.). Assim, será mais fácil visualizar e encontrar esses eventos. 

Além disso, procure pecar pelo excesso, quanto mais potenciais riscos forem identificados, menores são as chances do seu escritório ser surpreendido. 

2- Faça uma análise qualitativa e quantitativa

Com os riscos encontrados e ordenados entre internos e externos, chegou a hora de organizar e classificar. 

Primeiro, faça uma análise qualitativa, ponderando os efeitos de cada risco que você e sua equipe listaram no primeiro passo, que podem ser de baixo, médio ou grande impacto. Depois disso, classifique quais devem receber um cuidado prioritário e demandar maior atenção. 

Posteriormente, realize a análise quantitativa, organizando os riscos de forma numérica de acordo com a prioridade definida.

Ficou complicado? Vamos ver um exemplo então: 

Imagine que você identificou um risco interno negativo no departamento pessoal relacionado ao aumento da demanda. Isso porque, com o crescimento do seu escritório e novas empresas chegando a todo momento, este departamento corre o risco de não dar conta da quantidade de trabalho, como folhas de pagamento, admissões, férias e etc. 

Nesse caso, poderíamos classificar esse risco da seguinte forma:

  • Impacto Grande – Porque atrasos na folha de pagamento, férias, entre outros, podem gerar multas bem altas.
  • Cuidado Prioritário – Pois a expansão do escritório é algo que já está acontecendo
  • Classificação Numérica 1 – Devido os impactos, o ideal é que esse problema seja resolvido com agilidade. 

É claro que existem outros parâmetros que podem ser avaliados e você pode defini-los conforme a sua estratégia e necessidade. O importante é que, ao visualizar essas informações, você consiga enxergar, de forma clara, como e por onde começar a responder cada um deles. 

3- Encontre uma resposta 

A gestão de riscos não envolve apenas o conhecimento sobre quais são esses riscos e a análise e classificação individual de cada um deles, ela também exige uma ação. 

Por isso, é fundamental que você encontre uma resposta para cada um dos riscos que você definiu. Para isso, existem alguns caminhos possíveis de seguir:

  • Gerenciar: apagar incêndios e endereçar os riscos somente depois que se tornam problemas.
  • Consertar: detectar e reagir aos riscos rapidamente, mas só depois que eles acontecem.
  • Mitigar: planejar antecipadamente os recursos, mas sem fazer nada para eliminar os riscos.
  • Prevenir: encontrar uma solução e colocá-la em prática,  antes que os  riscos se tornem problemas reais.
  • Eliminar: identificar e eliminar os fatores que geram os riscos.
  • Aceitar: reconhecer e assumir os riscos, sem tomar nenhuma ação sobre eles.

A última opção pode parecer estranha, não é mesmo? Então vou te explicar em quais ocasiões os riscos podem ser ser aceitos e você vai conseguir me entender:

  • Representam uma oportunidade;
  • Não são tão relevantes no contexto do projeto;
  • Sua resolução é muito cara e pode ser que ele nem venha a acontecer;
  • Não é possível solucioná-lo.

Lembrando que, a escolha sobre como responder ao risco é uma decisão sua. No entanto, tenha em mente que, caso não haja uma resposta, os impactos podem ser enormes para o seu negócio e todo o trabalho feito até aqui, pode ir por água abaixo. 

4 – Monitore

Por fim, mas não menos importante, após a definição e execução das ações escolhidas, é preciso acompanhar se elas estão respondendo conforme esperado.

Para isso, você pode contar com várias ferramentas para te auxiliar, como indicadores de desempenho, relatórios, implantação de mecanismos de controle, métricas, entre outros.

Os riscos sempre surgirão, portanto, a gestão deve ser constante, com avaliações periódicas sobre todos os pontos relacionados a eles. Além disso, é importante estipular novas respostas e reconhecer novos riscos, até mesmo quando são recentes.

Então, controle e monitore os riscos dos processos para não ser pego desprevenido por uma consequência negativa.

Pronto para gerir os riscos do seu escritório?

São muitas as análises a serem feitas, não é mesmo? Mas, espero que esse artigo tenha ajudado você a entender o quão importante e vantajosa essa gestão pode ser para o seu escritório. 

Afinal, se tem algo inevitável na jornada de um escritório contábil, são os riscos que podem surgir a todo momento. A diferença está em como você e sua empresa estão preparados para administrar esses riscos e, mais ainda, na capacidade de tomar decisões antes que tudo virem um problema. 

Por isso, a gestão de riscos é fundamental e necessária e espero que, após ler esse artigo, você esteja pronto e munido de informações para colocá-la em prática. No entanto, se ainda tiver dúvidas, deixe um comentário neste conteúdo, será um prazer ajudá-lo a manter o seu negócio seguro!

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