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A criatividade nos torna únicos, e permite que as pessoas se destaquem em um mercado tão competitivo como nos dias atuais, certo? Mas é preciso entender que mais importante do que a criatividade, é a forma como ela é aplicada, uma vez que podemos utilizá-la não somente de forma positiva, mas negativa também. Nesse artigo você vai conhecer um pouco mais sobre o termo contabilidade criativa e conseguirá entender melhor a sua aplicação.

O que é contabilidade criativa?

O termo “Contabilidade Criativa” resulta da tradução da expressão inglesa “Creative Accounting” e o seu aparecimento ocorreu na década de 80. Outras expressões também surgiram porem menos utilizadas como “Contabilidade Imaginativa”, “Contabilidade de Intenção” e “Contabilidade de Conveniência”.

O termo “criativa” aplicado a algo, significa que existe ou tem capacidade de inventar. Quando se associa criativa a contabilidade, presume-se que a contabilidade possuí a aptidão de criar ou inventar a informação.

Pode até parecer que o termo contabilidade criativa nos remeta a um jeito novo de fazer contabilidade, mas na verdade, o termo nos remete à uma prática que tem como origem a necessidade de muitas empresas mostrarem de uma forma diferente seus resultados, baseado na forma como se pode interpretar as normas contábeis.

Em outras palavras a contabilidade criativa é uma forma de manipular a realidade patrimonial de uma entidade, onde é possível utilizar-se das flexibilidades e omissões existentes nas normas contábeis, para alterar propositalmente o processo de elaboração das demonstrações contábeis. Trata-se de “maquiar” os resultados, com o fim de favorecer os interesses de uma entidade.

Embora o termo se refira á contabilidade, essa é uma postura que não parte do contador, e sim do cliente. Existem algumas situações em que “maquiar” os resultados pode ajudar o cliente, como a majoração de ativos da empresa em bolsa de valores, no qual ele teria um prejuízo se fossem apresentados resultados ruins, por exemplo.

Outro exemplo é a contratação de empréstimos por taxas mais baixas, em que instituições financeiras verão uma capacidade de pagamento da dívida bem maior do que a real.

Qual o perigo da contabilidade criativa?

Usar criatividade para atender às necessidades do cliente não é crime, mas existe um ponto de atenção, pois existe o perigo da contabilidade criativa se tornar crime ou simplesmente se tornar ineficaz.

Quando o empreendedor acredita na ideia de que vale a pena omitir ou ajustar informações contábeis, com o fim de pagar menos tributos ao governo, nesse caso quando foge da lei, a empresa passa a sonegar impostos, prática conhecida como evasão fiscal, crime previsto na Lei Federal nº 4.729 de 1965.

Outro ponto a se observar é quando se torna ineficaz, pois se for considerar o valor de uma multa exigida no crime de sonegação fiscal, já existem motivos suficientes para convencer o cliente da ineficácia da contabilidade criativa.

Contabilidade Criativa em 2017

Para 2017, a previsão não é boa para a prática da contabilidade criativa. Hoje, se o contador se depara com manobras voltadas à mascarar a realidade, sua reação se limita a alertar e instruir o cliente, e caso o cliente ainda queira prosseguir com a solicitação para um contabilidade criativa, pode renunciar ao trabalho, mas não denunciar a irregularidade para não contrariar o sigilo profissional.

Já a partir de Julho, isso deve mudar. Nesse mês, deve ocorrer a publicação pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC) da versão em português da Noclar, a norma internacional que trata da Obrigatoriedade de Reporte do Não-cumprimento á Leis e Regulações. Dessa forma, será possível ao contador, denunciar possíveis irregularidades.

Neste artigo, procuramos abordar o tema contabilidade criativa, apesar de ser polêmico entre os contadores, pois trata das práticas que podem minar completamente a relação com seus clientes, saber identificar a causa e os motivos que levam o empreendedor a entrar por esse caminho, lembrando sempre que a postura do contador diante desse tema, pode fazer a diferença na formação de um empreendedor mais consciente.