Tipos de fluxo de caixa para empresas contábeis – Conheça 4 dos principais modelos e suas características 

Você sabia que há mais de 5,3 milhões de empresas inadimplentes no Brasil? Pois é, esse dado foi retirado do último levantamento feito pela SERASA Experian e nos mostra, mais uma vez, o quão importante é manter o controle do fluxo de caixa de um negócio.  Afinal, somente com uma boa gestão financeira é que se pode, não só evitar a inadimplência, como também tomar decisões mais estratégicas e, claro, ter maior consciência de todas as receitas e dívidas de uma organização. Por isso, neste artigo, eu irei mostrar os 4 principais tipos de fluxo de caixa para empresas contábeis que você pode analisar em seu escritório, e explicar  suas características e diferenças. 

Então, se você quer evitar fazer parte dessa estatística e ter uma visão mais clara sobre o financeiro do seu negócio, continue comigo!

O que é fluxo de caixa e qual a sua verdadeira importância?

Antes de te mostrar os 4 tipos de fluxo de caixa para empresas contábeis, que tal recapitular o que é e pra que serve exatamente essa importante ferramenta de negócio? Vamos lá? 

O fluxo de caixa nada mais é que a análise do fluxo de todo o dinheiro existente no caixa do seu escritório durante um determinado período. Seja ele recolhido ou gasto.

Dessa forma, ele serve para que você consiga ter uma visão 360° de toda a parte financeira do seu escritório. Por isso, o papel central dessa ferramenta é identificar  rapidamente a falta ou a sobra de dinheiro, para que se tenha um melhor aproveitamento de recursos.

Quando um gestor deixa de realizar o controle desse fluxo, ele abre portas para problemas, como:

  • Falta de lucro gerado pela operação;
  • Gastos incompatíveis com as vendas;
  • Despesas elevadas;
  • Endividamento;
  • Descontos e Concessões indevidas;
  • Erros na precificação dos serviços contábeis;
  • Desconhecimento dos custos da empresa.

Esse último item é um dos maiores problemas e o grande causador de todos os outros. Afinal, quando se desconhece os custos da empresa, fica impossível acompanhar e colocar em dia o restante da lista.

Por isso, não só conhecer, mas analisar de forma periódica os tipos de fluxo de caixa para empresas contábeis é essencial para se ter maior controle, visão e gestão do seu negócio. 

Conheça os 4 principais tipos de fluxo de caixa e suas características

Agora que recapitulamos o que é fluxo de caixa e quais problemas uma empresa pode ter quando não o acompanha, vamos conhecer os 4 principais tipos de fluxo de caixa para empresas contábeis, suas características e como analisar cada um deles.

Confira:

1-  Direto

O primeiro dos 4 tipos de fluxo de caixa para empresas contábeis que irei apresentar aqui, é um dos mais usados pelos escritórios: o fluxo de caixa direto. 

O tipo de fluxo de caixa direto considera em sua análise o registro de pagamentos e recebimentos, sem fazer descontos nem utilizar valores brutos. 

Ele também categoriza as movimentações conforme o tipo contábil de cada uma delas. Por exemplo, você pode separar os recebimentos de clientes dos pagamentos para fornecedores e assim ter uma visão muito mais transparente do seu financeiro. 

Esse fluxo, no geral, é composto por:

  • Saldo inicial de caixa: Saldo que o escritório fechou na última analise de caixa, seja ele positivo ou negativo
  • Recebimentos: Valores que a empresa recebeu no período em que se está analisando, como os seus honorários, por exemplo.
  • Pagamentos: Aqui, estão os pagamentos que seu escritório realizou no período. 
  • Saldo operacional de caixa: É a diferença entre os valores recebidos e os pagos. 
  • Saldo final de caixa: É a soma de todos os valores presentes no fluxo de caixa direto.

Imagine que o seu escritório tenha um saldo de caixa de R$ 600 e os recebimentos do período foram de R$ 5.000, enquanto seus pagamentos foram de R$1.700. Nesse caso, o saldo operacional da empresa seria de R$ 1.000 e o saldo final de caixa seria de R$ 2.900. Simples, não é mesmo?

Um pouco diferente dos demais, o fluxo de caixa direto funciona como um verdadeiro instrumento de trabalho, dando ao gestor a possibilidade de apenas abrir sua planilha e já ter de cara uma visão clara de onde vem e para onde vai cada um de seus recursos financeiros.

2- Indireto

Diferente do tipo de fluxo de caixa para empresas contábeis que citei acima, o modelo indireto analisa os lucros e prejuízos do seu escritório através de dados extraídos de um indicador que você deve conhecer: o DRE, Demonstrativo de Resultados do Exercício.

No tipo de fluxo de caixa direto é feito um controle do fluxo diário, já no modelo indireto, é realizado um balanço do início e do final de um determinado período do seu escritório. 

Por conta disso, a principal finalidade do fluxo de caixa indireto é oferecer uma demonstração contábil dos números que foram coletados anteriormente, explicitando a relação que o seu caixa tem com o seu lucro líquido. Dessa forma, para utilizar esse modelo de fluxo de caixa, é necessário excluir do lucro líquido da empresa as antecipações de gastos e recebimentos. Ou seja, a ideia é que alterações futuras de caixa não entrem nesta conta. O mesmo vale para a depreciação

Ainda, é preciso retirar do lucro líquido também os valores referentes a investimentos ou financiamentos. Com isso, você terá um fluxo de caixa que provém da movimentação líquida das contas de atividades operacionais, como as contas a pagar e a receber. 

Mas, é preciso atenção aqui. Pois, utilizar somente o fluxo de caixa indireto para a sua gestão financeira, pode gerar problemas ao seu escritório. Isso porque, as chances de distorções nos valores é grande e você pode acreditar que tem um determinado valor em caixa, quando, na verdade, não tem.  

3 – Projetado

O terceiro tipo de fluxo de caixa para empresas contábeis é o projetado. 

Ele tem como principal objetivo te ajudar a prever despesas e receitas futuras para garantir uma melhor gestão financeira do seu escritório. Por conta dessa característica, neste modelo não são incluídos valores que já foram retirados e inseridos no orçamento da empresa, mas sim as entradas e saídas que ainda não foram analisadas. Dessa forma, o tipo de fluxo de caixa projetado faz a estruturação de tudo o que será gasto pelo seu negócio nos próximos meses e tudo o que deve ser recebido no mesmo período. 

Esse modelo oferece informações precisas e detalhadas do negócio, possibilitando a você realizar uma projeção das entradas e saídas financeiras, bem como, seus riscos iminentes. 

Nesse fluxo devem constar dados, como:

  • Saldo inicial do caixa no período;
  • Entradas de valores, diferenciados entre “previsto” e “realizado”;
  • Despesas fixas e variáveis;
  • Intervalo de tempo entre os recebimentos; 
  • Planejamento de contas.

O fluxo projetado é uma ótima ferramenta para acompanhamento das contas a serem pagas, como insumos, colaboradores e fornecedores. Ele também ajuda a visualizar com precisão os pontos que precisam ser melhorados na empresa, possibilitando uma intervenção prévia de situações de risco que possam prejudicar seu escritório futuramente. 

Além disso, por conseguir projetar com mais veracidade o futuro de curto prazo da empresa, esse modelo é um ótimo aliado na hora de conseguir investidores ou financiamentos para o seu negócio. 

4 – Descontado

Por fim, vamos falar sobre o tipo de fluxo de caixa para empresas contábeis chamado de descontado, que tem como finalidade medir o tempo de retorno do capital investido no seu escritório e na empresa como um todo. Essa análise é fundamental, principalmente, quando se deseja realizar uma fusão ou a venda do negócio.

De forma mais detalhada, o fluxo de caixa descontado nada mais é que estimar o valor de uma empresa com base no dinheiro que ela pode gerar no futuro.  Ou seja, ele faz uma projeção daquilo que seu escritório poderá produzir. Tudo isso, com os descontos do tempo que levará e dos riscos que serão assumidos. Logo, ele funciona quase como um orçamento do seu negócio. 

Geralmente o fluxo de caixa descontado pode ser calculado de duas maneiras:

  • Descontando todos os efeitos de dívidas;
  • Usando o fluxo de caixa livre que, nada mais é, que o dinheiro gerado após a dedução dos impostos, investimentos permanentes e variações esperadas no capital circulante líquido.

Antes de tudo, é necessário calcular a quantidade de dinheiro que efetivamente entra na empresa, descontando todas as despesas necessárias para tocá-la. A partir disso, é possível calcular o potencial de rendimento da empresa no futuro. E é exatamente essa característica que faz esse modelo ser um pouco menos preciso. Afinal, o futuro é um fator totalmente enigmático e tentar estimá-lo pode gerar problemas, principalmente quando se usa premissas excessivamente otimistas para isso.

No entanto, é possível fazer projeções mais sólidas do futuro utilizando outros conceitos, como a mentalidade antifrágil e a gestão de riscos. Falo mais a respeito dessas pautas nesses dois artigos aqui do blog:

Antifrágil – Como conduzir uma empresa resistente às adversidades e Gestão de riscos – Aprenda a lidar com as incertezas do mercado contábil em 4 passos!

Qual tipo de fluxo de caixa escolher para o seu escritório?

Depois de conhecer os principais tipos de fluxos de caixa para empresas contábeis, pode ser que o seguinte questionamento tenha passado pela sua cabeça: Ok, mas e agora? Qual tipo de fluxo de caixa escolher para o meu negócio? Infelizmente, essa é uma pergunta que eu não posso responder, pois cada negócio possui suas particularidades, dores, necessidades, e somente você poderá optar pelo que melhor atende as suas. Mas, a boa notícia é que, por possuir características e funções diferentes, você pode mesclar e usar todos esses recursos em seu escritório e ter uma gestão muito mais precisa e eficiente.

E independente do tipo que escolher, é importante que você siga algumas boas práticas para deixar seu fluxo de caixa mais preciso e consistente, veja:

  • Conheça o saldo da sua empresa: Tenha sempre na ponta da língua o quanto de dinheiro existe disponível no caixa do seu escritório. Essa informação é mandatória!
  • Classifique seus gastos: Tenha uma planilha com seus custos e despesas, como gastos fixos e variáveis muito bem classificados.  
  • Classifique suas receitas: Não esqueça de contabilizar todo o dinheiro que já recebeu ou que vai receber, bem como suas origens.
  • Informe as movimentações com datas: Para manter tudo ainda mais organizado, adicione data as movimentações e também as classifique como “previsto” e “realizado”.
  • Atualize os lançamentos: Identifique qual a melhor frequência para se fazer isso e não deixe de atualizar o documento de forma periódica.
  • Analise as informações do fluxo: O principal motivo de criar e manter um controle de caixa é poder saber de onde vêm as receitas mais importantes e os gastos mais recorrentes. Por isso, se você criou esse documento, não deixe de analisar as informações presentes nele .

Pronto para começar?

Agora que você conhece os 4 tipos de fluxo de caixa para empresas contábeis e tem todas essas informações em mãos, de maneira organizada e atualizada, tenho certeza que ficará muito mais fácil visualizar e controlar o financeiro do seu negócio. Então, bora colocar a mão na massa e fazer uma gestão mais precisa das finanças do seu escritório, potencializando seus lucros e reduzindo seus prejuízos!

Até o próximo conteúdo! 

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